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    Mercado · Biometano ·

    Frete marítimo e margens do diesel reforçam a competitividade do biometano

    Por AVENTRA

    A alta do transporte marítimo e dos diferenciais do diesel evidencia o valor de uma oferta regional de biometano, com contratos de longo prazo e custos transparentes.

    Frete marítimo e margens do diesel reforçam a competitividade do biometano
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    A formação do preço do diesel exige olhar além da cotação do petróleo. O diferencial entre o derivado e o óleo cru, o frete marítimo, o câmbio e os custos de internalização determinam o custo de reposição do combustível importado. Para o biometano produzido a partir de resíduos da cadeia sucroenergética, esse contexto reforça o valor econômico de uma oferta regional.

    A logística volta ao centro da análise

    Em análise de 21 de outubro, a Agência Internacional de Energia (IEA) informa que o frete de grandes petroleiros entre o Golfo e a Ásia superou US$ 37 por barril em meados do mês. Desvios e atrasos reduzem a produtividade da frota; a pressão alcança também o transporte de derivados. Esses valores descrevem rotas específicas e não devem ser aplicados diretamente às importações brasileiras.

    Brent, crack spread e frete: componentes distintos

    O crack spread do diesel é o diferencial entre o preço do derivado e uma referência de petróleo, expressos na mesma unidade. É um indicador bruto de mercado, não a margem líquida de uma refinaria. Para acompanhar sua evolução, a AVENTRA utiliza o diesel de ultrabaixo teor de enxofre (ULSD) no Golfo dos Estados Unidos e o Brent spot, ambos publicados pela EIA.

    Evolução mensal do Brent spot e do crack spread do diesel em 2026

    As médias das datas coincidentes mostram o Brent em US$ 66,59/bbl em janeiro e US$ 124,83/bbl em outubro, até o dia 27. No mesmo recorte, o crack spread passa de US$ 22,07/bbl para US$ 76,15/bbl. O diferencial atingiu média de US$ 90,60/bbl em setembro. O mês de outubro é parcial.

    O frete de entrega ao Brasil é um componente adicional da paridade de importação. Embora os preços de mercado reflitam restrições logísticas e de oferta, o crack spread não constitui uma medida desse frete. Somá-lo novamente ao preço internacional do diesel produziria dupla contagem do diferencial do derivado.

    Comparação energética e cenário de paridade

    Na simulação apresentada pela AVENTRA para São Paulo, o diesel S10 a R$ 7,32/L equivale a aproximadamente R$ 194/GJ. O cenário de R$ 10,21/L em paridade corresponde a cerca de R$ 270/GJ. Trata-se de uma hipótese analítica de preço na bomba, e não de uma previsão de reajuste ou de uma cotação oficial de paridade.

    A faixa de referência de R$ 2,80–5,30/m³ para o biometano, incluindo logística, corresponde a aproximadamente R$ 74–141/GJ nas premissas de poder calorífico superior (PCS) adotadas. Isso representa um custo energético entre 27% e 62% inferior ao diesel de R$ 7,32/L. A faixa reúne referências de estudo com diferentes substratos; não é uma proposta comercial da AVENTRA nem um custo comprovado para toda planta de vinhaça e torta de filtro.

    Comparativo do custo energético do biometano, gás industrial, GNV e diesel

    No piso da faixa, o biometano também fica abaixo das referências de gás natural industrial (R$ 120/GJ; R$ 4,70/m³ para consumo de 100 mil m³/mês) e GNV na bomba (R$ 131/GJ; R$ 5,17/m³). No teto, essa vantagem frente aos dois combustíveis não se mantém. São referências da comparação AVENTRA para São Paulo, sujeitas às condições de fornecimento.

    A diferença de aproximadamente R$ 76/GJ entre o diesel na bomba e o cenário de paridade equivale, isoladamente, ao custo do biometano no piso da faixa.

    Para uso veicular, a análise deve incorporar eficiência e custo total de propriedade. Em uma sensibilidade com consumo energético 18% maior para o veículo a gás, a faixa sobe para aproximadamente R$ 87–166/GJ equivalentes ao serviço prestado pelo diesel. O percentual é uma hipótese de comparação; o desempenho depende do motor, da rota e da operação.

    Implicações para usinas e transporte pesado

    O biometano regional reduz a exposição direta à logística marítima do combustível. Seus custos continuam sujeitos a produtividade dos substratos, disponibilidade da planta, energia elétrica, compressão, distância de entrega e financiamento.

    Contratos de longo prazo podem transformar essa estrutura em previsibilidade de abastecimento. A escolha do indexador é decisiva: contratos vinculados ao diesel com desconto preservam exposição ao seu preço; fórmulas baseadas em custos e índices domésticos oferecem outro perfil de risco. A avaliação deve integrar preço, disponibilidade, qualidade e desempenho da frota.

    Metodologia e fontes

    Comparação em PCS; valores arredondados. Os preços brasileiros e a hipótese de paridade são premissas da análise fornecida pela AVENTRA, com referência a outubro de 2026. A comparação não demonstra, isoladamente, economia no custo total de propriedade.

    Gráfico: médias mensais das observações diárias coincidentes, de janeiro a 27 de outubro de 2026. Crack spread = ULSD spot US Gulf Coast (US$/galão americano) × 42 − Brent spot (US$/bbl). Outubro parcial. Cálculo AVENTRA sobre a base EIA utilizada no Radar, consolidada em 28/10/2026. Dados do gráfico (CSV).

    Fontes: IEA — análise de frete marítimo, 21/10/2026; EIA — Brent spot e ULSD US Gulf Coast. Faixa de biometano: referência de estudo de 2025 indicada na análise AVENTRA; condições comerciais devem ser confirmadas para cada projeto.