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Biometano: o futuro à frente

Por Renan Lopes

O etanol brasileiro ficou competitivo por aprendizado e escala. O biometano de vinhaça e torta de filtro segue o mesmo caminho — com resultado para a usina.

Biometano: o futuro à frente
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A indústria brasileira de açúcar e etanol conhece bem a relação entre experiência, inovação e competitividade. Ao longo de cinco décadas, transformou completamente suas operações agrícolas e industriais, adicionou a bioeletricidade, ampliou a escala de produção e incorporou novas fontes de receita.

Em 2004, José Goldemberg, Suani Teixeira Coelho, Plínio Nastari e Oswaldo Lucon analisaram essa evolução no artigo Ethanol learning curve—the Brazilian experience. O estudo descreve como o desenvolvimento tecnológico e as economias de escala contribuíram para reduzir custos e tornar o etanol brasileiro mais competitivo.

Esse aprendizado permite visualizar processo semelhante no biometano produzido a partir da vinhaça e da torta de filtro.

A biodigestão e a purificação de gás são tecnologias conhecidas. Ainda assim, sua aplicação nas usinas exige engenharia para lidar com grandes volumes de substrato, variações de composição, sazonalidade e integração com a operação agrícola e industrial. É nesse trabalho que identificamos oportunidades de melhoria para os próximos projetos.

Melhor conversão da matéria orgânica, menor consumo de energia, maior disponibilidade e menores perdas de metano têm efeito direto sobre o resultado econômico. A repetição de projetos também permite aperfeiçoar equipamentos, padronizar a engenharia e organizar a manutenção. Esses ganhos precisam aparecer no custo do gás entregue e na remuneração da usina.

A Agência Internacional de Energia aponta nessa direção. No Outlook for Biogas and Biomethane, publicado em 2025, a agência projeta uma redução de cerca de 20% no custo médio global do biometano até 2050. É uma estimativa que abrange diferentes regiões e substratos, mas reforça a relevância do aprendizado tecnológico e da escala para o desenvolvimento da atividade.

Isso não significa que devemos contar com reduções futuras de custo para justificar um projeto hoje. Significa desenvolver projetos economicamente consistentes, acompanhar seu desempenho e incorporar as informações da operação para melhoria contínua de processos.

Na AVENTRA, essa visão orienta o desenvolvimento de unidades de produção de biometano integradas às usinas de açúcar e etanol, com foco em eficiência, confiabilidade e controle das emissões de metano. Nosso trabalho é integrar tecnologia, operação e comercialização para transformar o potencial da vinhaça e da torta de filtro em receita para as usinas.

Referências: Goldemberg et al. (2004), Ethanol learning curve—the Brazilian experience; IEA (2025), Outlook for Biogas and Biomethane.